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UM SEMESTRE DE JOGOS


Resumo do que foi para mim o 2º semestre de 2003 em termos de jogos:
o que eu joguei, com quem, que jogos mais me impressionaram, etc.

Nos últimos anos, joguei sempre menos do que eu gostaria. A falta de parceiros ou de tempo podia ser apontada como principal responsável. Embora acompanhasse de perto o que estava acontecendo no mercado, conhecendo os jogos novos, comprando vários deles, estudando suas mecânicas e ocasionalmente até jogando uma ou outra partida, nunca consegui jogar com regularidade.

No primeiro semestre de 2003, fui contagiado pelo bichinho do Go e durante esse período gastei com ele 90% do meu tempo de lazer dedicado a jogos. Joguei mais de 100 partidas, quase todas pela internet, algumas ao vivo na Nihon Kiin e umas duas ou três com o Sergio Halaban, meu principal parceiro de jogo nos últimos anos.

Durante uns três ou quatro meses joguei em média uma partida toda noite, com duração de cerca de uma hora. Gastei ainda muitas horas com leituras sobre o jogo, incluindo a série Learn to Play Go (volumes 2 a 4) e o excelente livro The Fundametals of Go, de Toshiro Kageyama.

Mas o semestre acabou, a febre acabou e o meu interesse se voltou uma vez mais para o universo dos jogos num sentido mais amplo. Circunstâncias favoráveis permitiram ainda que eu me juntasse a um grupo sólido de gamers, que vinha se reunindo todas às quartas-feiras. Somando-se essas seções e outras esporádicas, joguei um bom número de partidas, muitas delas de jogos que ainda não conhecia.

Para manter um cadastro do que havia jogado, com alguma avaliação ou comentário de cada jogo, criei um banco de dados das sessões de que participei e dos jogos jogados. À medida que o banco de dados crescia e inspirado por um artigo escrito pelo Alan Moon (Six years of my life put into perspective), pensei em escrever isto aqui.

O Alan Moon montou um banco de dados semelhante, mas durante vários anos. No artigo, ele faz uma espécie de balanço, apresentando estatísticas de jogos jogados e parceiros. É o que eu pretendo fazer aqui, à minha moda. No meu caso conto apenas 4 meses, entre 15 de agosto de 2003 e 15 de dezembro do mesmo ano.

Nesse período, joguei um total de 183 partidas, o que corresponde a cerca de 10 partidas por semana.
Foram 75 jogos diferentes, 45 dos quais eu nunca tinha jogado antes.
Dos 75, 32 eu joguei apenas uma vez, 37 entre 2 e 5 vezes e apenas 6 mais de 5 vezes.

Os mais jogados foram: Go (15 partidas), Coloretto (12), Ping-pong (7), Sisimizi (7), Heave Ho (5) e King's Breakfast (5 partidas). Notas: 15 partidas de Go significa cerca de 15 horas de Go, ao passo que 12 de Coloretto deve ter dado umas 3 horas no total. Alguns poderão reclamar que Ping-pong está deslocado numa lista de jogos como essa, mas achei que fazia sentido considerá-lo como um jogo de mesa. E dos bons! Fiquei contente de jogar Ping-pong depois de uns 15 anos longe dele. Apesar do King's Breakfast estar nessa lista restrita, não gostei muito do jogo, mas nesse caso, 5 partidas não foi muito mais do que uma hora.

Além de registrar quais jogos eu jogava e de fazer algum comentário, adotei alguns critérios de classificação: duração, complexidade, diversão e qual o meu desejo de rejogar. Fiz isso com todos os jogos, exceto os meus protótipos.

Dividindo os jogos por duração, foram uns 35 rápidos (cerca de 90 partidas), 30 médios (80 partidas) e 5 longos (6 partidas). A partida mais longa foi uma partida de Mare Nostrum, que durou 3 horas, fora meia hora para aprender a regra. Valeu a pena, embora tenha achado o jogo um pouco tenso e violento demais para o meu gosto. Outras partidas longas que duraram cerca de 2 horas: Escape from Colditz, Princes of Florence e duas de San Marco. Uma partida de Euphrat & Tigris, que poderia ser considerado longo, acabou não sendo longa, durando uma hora. Não fui preciso na divisão, mas basicamente chamei de jogos rápidos aqueles que não costumam durar mais de meia hora. Médios os que estão entre meia hora e uma hora. E longos aqueles que passam facilmente de uma hora.

Dividindo desta vez os jogos por complexidade, diria que foram cerca de 35 jogos simples, 20 médios e 6 complexos (os mesmos citados há pouco como longos mais Hera and Zeus). Essa divisão é ainda mais subjetiva, mas é só uma referência ao número de regras que se deve aprender para poder jogar. Um wargamer, acostumado a jogos cheios de regras, talvez risse ao ver que chamei Colditz ou San Marco de complexos. Uma criança, ou um adulto sem o hábito de jogar, poderia não achar tão simples os jogos que considerei como simples, que vão desde os muito simples como Carabande, Ping-pong e Quarto, até alguns com um pouco mais de regras como Dragon Delta, Call My Bluff e Gamão. Exemplos de jogos que considerei como de complexidade média são O Grande Chefão, Medina e Go.

Em termos de diversão (ah, isso é o que importa!), 12 mereceram nota A ou estiveram próximos disso. São aqueles que eu considerei como ótimos. Nota B+, para aqueles que eu considerei como muito bons, embora aquém do possível, dei para 30 jogos (alguns com um pouco de boa vontade). Com B ficaram 12, com B- 2, com C+ 2 e com um reles C outros dois. Esses últimos 4 são jogos que considerei como tendo problemas sérios.

Os que mereceram A ou A- foram: Go e Ping-pong com A; com A- Hera and Zeus, Princes of Florence, Carabande, Coloretto, Heave Ho, San Marco, Alhambra, 6 Nimmt, além de dois jogos de cartas tradicionais: Truco Argentino e Le Truc.

Jogos que receberam na minha avaliação subjetiva B+: Bang, En Garde, Euphrat & Tigris, Don, De l'Orc pour les Braves, Kuhhandel, Sisimizi, Gnadenlos, Call My Bluff, Citadels, Medina, Verrater, Meuterer, Tichu, Traumfabrik, Take it Easy, Quarto, Escape from Colditz, Truco, além do protótipo de um amigo. Talvez ainda merecessem B+: E-bay, Mississipi Queen, Campanille, Grande Chefão, Show Manager, Dragon Delta, Odysseus, Paris Paris e Where's Bob's Hat.

Foi surpreendente notar a variedade de autores. Pegando só esses que considerei os melhores, vemos jogos do Michael Schacht (Coloretto e Don), do Bruno Faidutti (Citadels e De l'Orc), Alan Moon (San Marco e De L'Orc em parceria com Faidutti), J. M. Casasola-Merkle (Verrater e Meuterer), Wolfgang Kramer (Princes of Florence e 6 Nimmt), Reiner Knizia (Euphrat & Tigris, En Garde e Traumfabrik), Richard Borg (Hera and Zeus, Heave Ho e Call My Bluff), Klaus Teuber (Gnadenlos), Stefan Dorra (Medina), Alex Randolph (Sisimizi), Dirk Henn (Alhambra), entre outros.

De todos esses jogos, cerca de 20 eu quero muito rejogar, 25 eu quero rejogar, 15 pode ser e 5 prefiro não.

Apenas 6 deles foram lançados no Brasil: O Grande Chefão (vale a pena), Rack (não gostei), Rummikub (joguei uma só e me enchi, mas acho que a mesa não favoreceu, pois me lembro de gostar bastante do Mexe-mexe), Bob Esponja (legal para crianças de 8-10 anos, mas o preço é um pouco salgado). Outros dois, joguei por razões profissionais: Floresta Encantada e Hulk. A grande maioria (mais de 50) eram importados da Europa ou dos Estados Unidos. 12 eram protótipos (11 nossos e 1 de um amigo) e 5 eram tradicionais, de tabuleiro ou cartas. Acho que nunca antes a proporção de jogos brasileiros entre os jogados foi tão pequena. Piora se lembrarmos que O Grande Chefão, Rack e Rummikub são apenas versões nacionais de jogos lançados em outros países. Os únicos brasileiros legítimos ficam sendo então o Bob Esponja, Floresta Encantada e Hulk.

Falando agora de seções de jogos, foram cerca de 50. Mais da metade no meu escritório, 11 na renomada mansão Buso e em mais 5 locais diferentes, incluindo três próximas ao Shopping Morumbi, duas no Tatuapé e uma em São Bernardo. Uma nota importante é que enquanto na Buso as sessões duravam em média 5 horas, no escritório a média bem mais modesta era de meia hora, limitando-se freqüentemente a uma só partida. Sendo assim, poderia dizer que joguei umas 55 horas na Buso, contra apenas 14 no escritório.

Em termos de parceiros, foram cerca de 60 no total! Com 27 só joguei uma partida. Com 20 foram de 2 a 5 partidas. Com 7 foram de 6 a 20 partidas. Com 5 tive o prazer de jogar mais de 20 partidas e os cito um por um: Gibrin (61 partidas), Sergio (58), Miyaji (55), CB (49) e Rique (28).
Talvez seja curioso mencionar que das 58 partidas com o Sergio, 45 nós jogamos só em dois. Dos 26 jogos que jogamos no total, 12 eram protótipos (37 partidas) e 6 nós jogamos em função de projetos que estávamos desenvolvendo (outras 14 partidas).

Faltou dizer que todas as 15 partidas de Go foram jogadas contra adversários humanos mas no computador, via internet, pelo site da igs. Das 15, 11 foram jogadas nos últimos 30 dias, quando voltei até a ler um pouco a respeito do jogo. Como me alertou meu amigo Dal Monte, quando se cria uma ligação com um jogo como eu criei com o Go, é para sempre. Posso até me afastar do jogo por períodos, mas nunca me desligarei completamente dele.

Bom, esse foi um resumo desses últimos quatro meses.

Um pequeno complemento ao que já disse. Nesse mesmo período, o computador foi parceiro para uma ou outra noite solitária. As partidas no computador (com exceção do Go) costumam ser rápidas e por isso não se assustem com os números, não foram muitas as noites despendidas frente a frente com a máquina.

Falando de jogos tradicionais de tabuleiro, joguei cerca de 20 partidas de Gamão, 20 partidas de Mancala, 10 partidas de Xadrez e algumas poucas de Damas e de Reversi. Usei os softwares Microsoft Board Games, Hoyle Board Games e Chessmaster 6000. Quase todas essas partidas foram jogadas no final de outubro.

Falando agora de jogos de cartas tradicionais, travei conhecimento com 3 jogos que me interessaram muito, cada um com seu estilo próprio: Eucre, Oh Hell e Skat. Eucre é um jogo de duplas rápido e muito gostoso. Oh Hell é individual, leve e envolvente. Já Skat, também individual, é um jogo para queimar neurônio, mas não fica atrás dos outros em termos de interesse. A escolha de um ou outro deles depende do humor e da disposição do momento. Foram cerca de 20 partidas de Eucre, 15 de Oh Hell e 10 de Skat. Além dessas, algumas partidas de alguns jogos que já conhecia: Espadas, Cribbage e Copas, uma meia dúzia de cada, além de uma partida de Old Maid e meia de Go Fish. Todos elas foram jogadas em novembro, com o software Microsoft Plus Game Pack.

Para finalizar, experimentei jogar algumas vezes no BSW, ou Brett Spiel Welt, o Mundo dos Jogos de Tabuleiro. É um site onde é possível jogar com gente do mundo todo simulações virtuais de alguns dos jogos de estilo alemão de maior sucesso, como Settlers of Catan e Carcassone. No total joguei 3 partidas de Lost Cities, uma de Call My Bluff e uma de Transamerica. Mas até agora essa onda não me pegou. A interface dos jogos geralmente é pobre (acho que são desenvolvidos por amadores) e o ritmo acelerado. Para jogar no computador, prefiro o Go, que envolve mais decisão e onde o interesse depende menos da interação entre os jogadores. Ou esses jogos tradicionais, cuja interface é mais rica, incluindo a simulação de parceiros. Novamente é uma questão subjetiva, pois conheço um punhado de pessoas que adoram o BSW.

Bem, foi isso. Acho que a maior parte dessa informação não terá utilidade nenhuma, mas foi divertido escrever e se você leu até aqui é porque ler não foi tão ruim assim. Quem sabe um dia repito a dose.

 

 

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