JOGO DA FRONTEIRA


Premiado na Europa e aclamado pela crítica, a versão brasileira do jogo gerou uma polêmica inusitada. Num descompasso, enquanto empresas americanas e francesas negociam os direitos para publicação do jogo, a imprensa brasileira tende a considerá-lo impróprio. Por que?

Parte da polêmica parece ter sido gerada pela atualização do tema. No original, o cenário era o Velho Oeste. Na versão alemã, a volta de uma viagem para o México. Na versão brasileira, temos uma fronteira imaginária. Os produtos trazidos na mala fazem pensar na volta de uma viagem ao Brasil.

Voltado para adultos e adolescentes, o jogo foi desenvolvido para o mercado europeu, onde os adultos se deliciam com jogos que tratam com muito humor de temas politicamente incorretos. Outros títulos na mesma linha são Intrige, Cash'n Guns, Grass e Don Pepe, este último lançado no Brasil com o título de o Grande Chefão.

O Jogo da Fronteira é um jogo de blefe e negociação, para se dar muitas risadas. Os jogadores são turistas tentando atravessar uma fronteira imaginária com algumas compras na mala. Um dos jogadores faz o papel de guarda e decide quem ele vai revistar. Cada um faz a sua declaração. Mas como saber quem está mentindo e quem está dizendo a verdade? É uma espécie de versão moderna do pôquer.

Veja abaixo uma imagem dos componentes da versão nacional, que ainda sofreu algumas alterações e simplificações:

A brincadeira em detalhe

Trata-se de uma fronteira surrealista onde cada turista traz na mala objetos de sua viagem ao Brasil: bananas, pandeiros, camisetas, baralhos, cigarros ou bebida!

Acontece que nesse país maluco, cada turista só pode trazer um tipo de mercadoria na mala: ou pandeiros, ou bananas ou camisetas, sem limite de quantidade (desde que caiba na mala!). Nessa fronteira imaginária foi proibido o transporte de cigarros, baralhos e bebida. O turista que for pego com alguma dessas mercadorias ou com qualquer bem não declarado será punido com multa e perda da mercadoria.

O guarda só pode revistar um dos turistas (ou dois dependendo do número de participantes). Então ele pede para cada um fazer sua declaração e só aí decide quem revistar. A graça é que todos podem argumentar, tentando convencê-lo de porque não vale a pena revistá-los, mas sim o vizinho. E isso é permitido!

Mesmo que o guarda te pegar, a coisa não acaba aí. Mais risadas estão por vir. Você pode pagar a multa ou pode tentar chegar a um acordo com o guarda. Mas é responsável por seus atos e o guarda tem livre autonomia para fazer o que achar melhor.

Essa negociação é uma das partes mais malucas do jogo, porque é uma negociação no escuro, já que o guarda não tem a menor idéia do que o turista está levando. Se ele fizer o turista mostrar as cartas, é obrigado a multá-lo e apreender a mercadoria, pois senão os outros guardas, honestos, irão enquadrá-lo. Isso cria situações do arco da velha. Quando são reveladas as cartas, uns riem muito, outros amargam o prejuízo.

Para finalizar, quem for revistado e não tiver nada diferente de sua declaração, recebe uma bela indenização, como incentivo à sua boa conduta e compensação pelo transtorno. Pena que as indenizações não existam no mundo real!

 

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