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Mahjong
Postado por sergiohalaban em 16 de fevereiro de 2012


por Maurício Gibrin

Criado na corte do rei de Wu, na China, em 500 a.C.? Ou elaborado por oficiais do exército chinês? Dizem que era uma atividade exclusiva da nobreza (e que os plebeus que fossem pegos jogando eram simplesmente decapitados!), e alguns chegam a afirmar que o próprio Confúcio deu uns pitacos nas regras. Mitos à parte, a verdade é que o Mahjong é um jogo apaixonante, popular na Europa, nos Estados Unidos e, principalmente, na China e no Japão – mas ainda desconhecido do público brasileiro.

O que se sabe ao certo a respeito da história do jogo é que seu primeiro registro data de cerca de 1880, na China. Apesar de jogado com peças (geralmente de plástico, mas também feitas com ossos, madeira ou marfim), o jogo é descendente de um jogo de cartas chamado Ma-Tiao – assim, o Mahjong está mais para o Buraco ou a Tranca que para o Dominó.

Em 1920, o americano Joseph Park Babcock publicou um livro com regras do Mahjong adaptadas para o público americano. O sucesso foi estrondoso, e por quase uma década o jogo foi mania nos EUA e na Europa. Infelizmente, as regras de Babcock não eram muito fiéis às originais, e muita gente ainda hoje joga com essas regras “simplificadas”.

Mas afinal, como se joga o Mahjong? Antes de mais nada, os componentes: são 144 peças, sendo que 108 são numeradas de 1 a 9 e divididas em três naipes (Bambu, Círculos e Caracteres). Das restantes, 16 são ventos (quatro de cada: Norte, Sul, Leste e Oeste), 12 são dragões (três quartetos), 4 são flores (ameixa, orquídea, crisântemo e bambu) e 4 são as estações do ano (primavera, verão, outono e inverno)*.

Embaralham-se as peças e monta-se o chamado ‘muro’, que nada mais é do que o suprimento de onde os jogadores irão comprar. A divisão inicial das peças, pelas regras tradicionais, é feita seguindo um verdadeiro ritual, mas que tinha razão de ser: era comum o Mahjong ser jogado a dinheiro, e o burocrático processo serve para dificultar trapaças.

Cada jogador recebe treze peças. No início de sua jogada, compra uma peça e, no final dela, descarta uma peça. O objetivo é formar conjuntos com as peças, da seguinte maneira:

- Trincas (Pung) são compostas por três peças iguais

- Quadras (Kong) são compostas por quatro peças iguais

- Sequências (Chow) são sempre três peças do mesmo naipe, com números sequenciais

- Pares são combinações especiais; para ‘bater’, o jogador deve ter um (e apenas um) par em sua mão.

O jogador que obtiver primeiro um par e quatro das outras combinações faz “Mahjong” (ou seja, ‘bate’). O jogo é interrompido e é feita a contagem de pontos.

Uma das curiosidades do Mahjong é que qualquer jogador pode ‘roubar’ a vez de jogar se a peça descartada por um oponente permitir que ele forme um Pung, Kong ou Chow. Nesse caso, o jogador compra a peça descartada e deixa a combinação aberta na mesa, para que todos possam vê-la.

O sistema de pontuação varia bastante de acordo com a regra utilizada, mas geralmente o jogador que descarta a peça que dá a vitória a um oponente ‘paga’ pontos ao vencedor – ou seja, é muito importante ficar atento ao que já foi descartado e ao descarte de cada oponente (especialmente os que já têm várias combinações abertas em frente a si).

Conseguir um conjunto de peças de Mahjong não é difícil: além de poder ser comprado pela Internet, lojas de produtos orientais costumam vender caixas do jogo – especialmente em regiões com comércio especializado, como o bairro da Liberdade, em São Paulo. Só evite comprar um kit em que o naipe de caracteres não seja acompanhado por números ocidentais – caso contrário, os jogadores terão de memorizar os números chineses…

Maurício Gibrin é jornalista e autor de jogos de tabuleiro