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Colonizadores de Catan
Postado por sergiohalaban em 9 de agosto de 2012


por Maurício Gibrin

Não é nenhum exagero afirmar que Colonizadores de Catan, obra-prima de Klaus Teuber, é um marco na história dos jogos de tabuleiro. Afinal, mesmo se não pode ser considerado o primeiro jogo de tabuleiro “moderno”, Catan (como os fãs gostam de chamá-lo) foi o primeiro a conquistar fama mundial: lançado em 1995 na Alemanha, o jogo foi publicado em mais de 30 idiomas diferentes e já vendeu mais de 15 milhões de cópias no mundo todo!

Claro que o Brasil não podia ficar à margem de todo esse sucesso. A primeira vez que Catan desembarcou por aqui foi em 2000 pelas mãos da Editora Devir, que havia lançado o jogo em Portugal sob o nome “Descobridores de Catan”. Mas podemos dizer que o lançamento “para valer” foi apenas em 2011, quando a Grow colocou o jogo na prateleira de lojas de brinquedo de todo o país.

A ideia do jogo é simples: o objetivo é colonizar a ilha de Catan, composta por 19 hexágonos de terra rodeados por mar. Cada hexágono (à exceção do deserto) tem um tipo de produção entre madeira, tijolos, trigo, lã e minério. As colônias, fundadas nas intersecções dos hexágonos, coletam aquilo que é produzido em suas redondezas.

Em sua vez, o jogador faz basicamente três ações. Primeiro, rola os dados para ver quais foram os hexágonos que produziram naquele turno. Distribuídos os recursos, o jogador pode trocá-los com seus adversários. Em seguida, se tiver os materiais apropriados, ele pode expandir seus domínios, seja pela construção de estradas, seja pela construção de novas colônias ou pela conversão de colônias em cidades (que ganham bônus de produtividade).

O inesperado do jogo acontece quando rola-se o número 7 nos dados: nesse caso, nenhum terreno produz e entra em cena a figura do ladrão – que não apenas rouba um recurso de um dos jogadores, como também se aloja em um dos hexágonos e desvia para si tudo o que ele produz! Para espantar o ladrão de suas terras, um jogador tem duas opções: comprar uma carta de desenvolvimento e tirar um soldado ou então… rolar 7 no dado quando for a sua vez!

Já deve ter dado pra perceber que a sorte é um fator importante em Colonizadores de Catan. Mas, como na maioria dos bons jogos modernos, ela tem um papel pequeno se comparada ao peso das decisões dos jogadores. Onde fundar as colônias, o que construir, para onde expandir e, tão importante quanto tudo isso, que recursos trocar (e com quem). Aliás, o comércio entre os jogadores é tão crucial para o sucesso de Catan que merece um parágrafo à parte.

Na maioria dos jogos de tabuleiro, especialmente nos clássicos, um jogador não tem muito o que fazer quando não é a sua vez. Existe até um termo em inglês para isso, “downtime”, que é justamente quando um jogador fica de braços cruzados, esperando os outros terminarem suas jogadas. A possibilidade de trocas faz com que Catan tenha pouquíssimo “downtime” – afinal você pode ganhar recursos e trocá-los com outro jogador mesmo quando não é a sua vez! Isso faz com que todos fiquem atentos ao jogo por toda a partida, reduzindo ao mínimo os momentos de inatividade.

Com exceção da caixa (que não é o forte da Grow), os demais componentes de Colonizadores de Catan são impecáveis. Peças plásticas representam as estradas, colônias e cidades de cada jogador e resistentes peças de cartão são usadas para formar o tabuleiro. A arte em geral é bem feita, e houve até o cuidado de imprimir placas de ajuda para os jogadores com o custo de cada construção.

Quem ainda não conhece os jogos de tabuleiro “modernos” fará um enorme favor a si mesmo conseguindo uma cópia de Colonizadores de Catan. E quem já os conhece terá uma agradável surpresa ao descobrir um jogo que continua atual, mesmo se mais de 15 anos já se passaram desde o seu lançamento.

Maurício Gibrin é jornalista e autor de jogos de tabuleiro